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Trampolim da vitória

Reconhecimento - Placa oferecida pelo Comandante do Comando Sul dos Estados Unidos à Base Aérea de Natal, alusiva à colaboração entre brasileiros e norte-americanos durante a II Guerra Mundial (fonte: http://www.fab.mil.br/)

O papel fundamental do Brasil para a vitória Aliada foi materializado nas declarações, memórias e diários pessoais das mais expressivas autoridades norte-americanas durante a Segunda Grande Guerra. Várias décadas depois, o reconhecimento pela colaboração brasileira não foi esquecido pelo governo dos EUA.

Como é de praxe no Brasil, com relação aos eventos relacionados à II GM, o aniversário 70 anos do início da construção de Parnamirim Field: "o trampolim da vitória", passou em branco na grande mídia; todavia, ele foi relembrado pelos estrangeiros.

Em dezembro de 2011, o Comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, General Douglas M. Fraser, visitou a Base Aérea de Natal e presenteou os militares brasileiros com uma placa alusiva aos esforços conjuntos das duas Forças Armadas (link).

Na placa está escrito o seguinte:

De 1941 a 1945, os militares brasileiros e americanos trabalharam lado a lado no nordeste brasileiro para fornecer apoio vital às Forças de Combate na África, Europa e além. Com o fechamento da Rota Aérea do Atlântico Norte devido ao inverno, a Rota Aérea do Atlântico Sul através do nordeste do Brasil controlou virtualmente todo o tráfego aéreo para os campos de batalha do mundo, incluindo aviões e suprimentos de emergência para a Índia e China, materiais para a União Soviética, e equipamento e pessoal para a África e a Europa. Sem a ajuda imensurável dos militares brasileiros no nordeste do Brasil, a vitória não teria sido possível. Por causa da sua proeminência nessas operações conjuntas, a Base Aérea de Natal ficou conhecida como o Trampolim da Vitória.

Com relação ao texto da placa, cabe lembrar que o "fechamento da Rota Aérea do Atlântico Norte devido ao inverno" refere-se ao inverno no Hemisfério Norte, em 1942/43, quando estava em curso a ofensiva anglo-americana no norte da África.

Infelizmente, seja por desconhecimento do tema, abordagem vinculada a dogmas ideológicos, ranço contra as Forças Armadas, ou o persistente "complexo de vira-latas" (vide o post Narciso às avessas), grande parte da nossa historiografia reduz a vital participação brasileira na guerra ao conflito entre o capital e o trabalho.

Segundo uma versão típica do reducionismo ideologizado inerente a esta tendência, "os EUA afundaram os navios brasileiros para obrigar o Brasil a entrar na guerra e enviar soldados para a Europa, em troca da construção da CSN". Este é um resumo do papel do Brasil na II GM que costuma ser apresentado aos nossos estudantes.

Tal quadro não foi elaborado da noite para o dia, mas durante décadas de omissão de uma parcela substancial dos nossos educadores e historiadores de escol.

Preservar e difundir o verdadeiro legado dos nossos marinheiros, soldados e aviadores, no maior conflito da história da humanidade, exige mais do que conhecimento e títulos acadêmicos. Exige honestidade intelectual.

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Fonte: http://www.fab.mil.br/ (link)

Stetson Conn e Byron Fairchild, A Estrutura de Defesa do Hemisfério Ocidental. Bibliex, RJ, 2000.

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