Palavras do Diretor

     

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muitas pessoas se surpreendem ao descobrirem que o Brasil enviou uma Força Expedicionária para lutar na Europa, durante a Segunda Grande Guerra Mundial — inclusive no Brasil. Foi essa uma das motivações para produzir e dirigir este documentário. Mas não a principal.

A participação brasileira no conflito foi modesta se comparada à das grandes potências; porém, as agruras dos seus soldados foram semelhantes às vivenciadas pelos demais combatentes na frente ocidental. Não raro, foram piores. Oriundos de um país atrasado e fraco militarmente, os homens do “Navalha” foram vistos com desconfiança por seus aliados, sendo considerados membros de uma tropa de segunda categoria. Seus próprios compatriotas manifestaram tal desconfiança. À época, muitos diziam jocosamente que “era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil embarcar para a guerra”. Segundo alguns relatos, a adoção do distintivo com uma cobra fumando teria sido uma resposta aos críticos. 

 

Contudo, dada a carência de efetivo na Itália em 1944, após um treinamento deficiente eles foram rapidamente lançados no front contra um inimigo experimentado. Pior. Receberam fuzis ultrapassados que nem mesmo as Divisões norte-americanas segregadas racialmente utilizavam como armamento individual padrão. Por tudo isso, “Navalha” também é uma história de superação.

Se a presença brasileira no conflito é pouco conhecida, muito menos são os obstáculos vivenciados pelos seus integrantes durante e após a campanha. Assim, enfatizei o grau de intensidade e de permanência dos efeitos da guerra no corpo, na mente e na alma dos combatentes, bem como sua influência nos laços familiares e de amizade: a matéria-prima do elo invisível que une os veteranos. Embora tenha produzido e dirigido a obra, sempre me emociono com o poder dos seus depoimentos, narrando os variados dramas que afligem o ser humano na guerra. Eis a grande motivação para levar o projeto adiante.

“Navalha” aborda questões atemporais que ultrapassam as barreiras culturais entre os povos. Tenho a convicção de que elas sejam comuns a todos aqueles que um dia estiveram em uma zona de combate, independente do país de origem. Meu sincero desejo é poder compartilhar essas histórias e reflexões com o público, e que a obra possa comover e inspirar seus espectadores tanto quanto ela ainda o faz comigo.

Juiz de Fora, MG - Brasil, 26 de junho de 2016 

Durval Lourenço Pereira

O “Navalha” aborda questões atemporais que ultrapassam as barreiras culturais entre os povos.

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